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29/08/2011 - 09h43

Sawabona Shikoba

Um texto do Flávio Gikovate:
Sawabona, que em grande parte eu gostaria de ter escrito, só que não o associaria a tempo algum, a modernidade. Desde sempre eu digo que - Só pode ser bom, se cada qual for um inteiro antes de formarem um casal, um par, serem dois indo nessa juntos. 

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século.
O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.
O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.
Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.
E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.
As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.
Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

PS: Caso tenha ficado curioso em saber o significado de Sawabona, é um cumprimento usado no sul da África e quer dizer: "Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim".
Em resposta as pessoas dizem Shikoba, que é: "Então, eu existo para você".
Mas primeiro eu existo pra mim.                                     


enviado por:  Cecilia & Modesto Stama  (alunos Presença Inst Irineu Gasparetto)
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Irineu Gasparetto é formado em Psicologia e Administração de Empresas. Palestrante internacional, psicólogo, conselheiro metafísico, estudioso da espiritualidade, empresário, consultor, administrador, professor, músico e radialista. Seu diferencial é utilizar-se da psicologia breve, a Gestalt aliada a Metafísica, fazendo com que você seja seu próprio terapeuta. Ministra curso de formação de Conselheiros Metafísicos, para o público em geral, assim como, práticas para profissionais já formados: Psicólogos, Médicos, Psiquiatras, Advogados.

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Irineu Gasparetto Conversando com Você oferece reflexões para uma visão mais clara de sí mesmo e o despertar de uma nova consciência para o potencial interior, tornando a vida mais leve e gratificante.

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